Filosofias de um final de semana – Sobre amar a segunda-feira

A maioria das pessoas passa a semana torcendo pela santa sexta-feira, torce tanto e esperam tanto que mal vivem os outros dias da semana. A começar pela segunda feira, que é tão odiada e desrespeitada que mais parece um juiz de futebol; as pessoas se arrastam, não ligam para compromissos e preferiam dormir o dia todo pra chegar logo na terça-feira, como se isso fizesse diferença.

Mas nem quero entrar no mérito aqui que só se odeia os dias da semana quando se odeia o que faz – aula, amigos, trabalho, faculdade, etc. Porque acredita-se que se você realmente gosta do que faz não vê a hora de estar fazendo ou é feliz fazendo, não se importando se é segunda ou sexta-feira.

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Mas o meu pensamento aqui, e talvez não tenha nem base, fundamento, nem conclusão, é que na maioria das vezes as pessoas comemoram e planejam os dias de folga e festa que vão chegar. Para uns, sinônimo de arrumar e limpar a casa, para outro colocar a leitura e a novela em dia, para outros ver namorado, amigos e seguir a rotina de bares, baladas e lanches da madrugada, não necessariamente nessa ordem. E as mulheres planejam roupa, penteado, maquiagem, e quem sabe até as falas e diálogos pra fechar noites perfeitas.

E nesse ciclo não percebem que tudo virou uma rotina, vejamos o caminho: segunda-feira até quinta-feira um borrão e uma chatice, sexta-feira, uma alegria, happy hour, festas, sair da dieta, beber um pouco mais e então já é domingo, tédio esperando o famoso dia ruim. E então voltamos ao início. Pronto, rotina feita, nenhuma novidade, e acredita-se que a novidade vem na sexta-feira, e pode ser que venha no sábado, meio atrasada.

E aí já é agosto, setembro, natal, e nada mudou, nem os hábitos, nada de diferente, inspirador, memorável foi feito no ano todo, pelo menos não que seja honrável de ser lembrado. E sabe por que? Porque o que aconteceu no ano novo foi mais do mesmo, talvez a banda do bar tenha mudado, um dia teve happy hour, no outro alguém inesperado deu em cima e a pessoa nem acredita.

E o que lembramos no final do ano? Coisas que realmente tiveram lugar marcado no calendário. Viagens, casamentos de pessoas que amamos (ou os nossos), conquista de um carro novo ou casa nova. Ou ainda fotos que não teve como esperar a segunda feira para imprimir e colocar na geladeira ou na parede, fotos que merecem um destaque para marcar a alegria de um grande dia.

É claro que lembramos perfeitamente de dias tristes, trágicos, perdas, assustadores, e a não ser que eles tenham sido superados e nos ensinados a ser melhores, não valem a pena nos marcarem para o resto da vida. E eu nem quero tocar nesse assuntos de dores e tristezas, porque quero falar de mudanças, de coisas novas.

Busca-se um amor para vida toda, mas continua saindo com aquela pessoa que só te leva pra trás, frequentando os mesmos lugares. Quer buscar um novo emprego, uma nova carreira, mas continua aceitando as segundas feiras de cabeça baixa e esperando o final de semana, sem buscar um novo curso, uma nova faculdade, novos contatos, novas vagas. Quer mudar de casa, cidade, país, mas continua reclamando da tomada que não funciona e da água que não tem a temperatura certa no chuveiro e não procura nos classificados, possíveis países de interesse e como mudar. Quer aprender a cozinhar, mas no jantar de sábado pede pizza, no almoço de sábado come um pão velho e espera alguém convidar para jantar e pula aquele programa com um chef famoso que ensina dicas práticas para a cozinha.

A verdade é que temos que amar as segundas feiras e enxergar além do dia que trás a dieta de volta ou a atividade que tanto odiamos. Mas ver como um começo para novas oportunidades, construção de novas metas, novos desafios, um dia para traçar novos planos e colocar datas e prazos para começar a investir ou para realizá-los.

Abandonar velhas ideias de pré determinar dias ruins e dias piores ainda e parar de vangloriar tanto os dias de folga e festa. Todo dia é dia de viver bem e ser feliz. Contar os dias é legal quando temos com o que esperar, uma apresentação, um show, uma viagem, uma promoção, um nascimento, uma mudança concreta.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.