Maternidade não é para todos

Para alguns ela acontece, para outros ela é planejada e para muitos ela é por pressão, insegurança ou até falta de planejamento. Mas a verdade é que ela não é para todos e o mundo daria um passo para um lugar melhor se as pessoas entendessem e aceitassem isso.

Acho lindo pais que planejam que são felizes com os sacrifícios de sua escolha, que escolhem os detalhes do quarto, do enxoval e pesquisam as melhores mamadeiras. Que falam do processo da gravidez de verdade, dores, perrengues, exames, momentos, desejos e parto como falam de momentos lindos e ditos como mágicos. Que se preparam para educar, mas sabem que vão errar e aceitam isso. Que aprendem a arrumar cabelo de criança, brincadeiras pedagógicas, músicas educativas para ter momentos simples e valiosos com seus filhos. Que sabem educar e brigar, sem super proteger, mimar e “principificar” a criança. Que sabem distrair seus filhos sem precisar de um DVD portátil ou um tablet.

E assim como acho lindo pessoas que assumem sem medo ou vergonha: “filho não é para mim”! Que dão valor pra sua liberdade, sabem que o trabalho vem em primeiro lugar, que amam passar o domingo na cama sem precisar atender ninguém, que pensam nos gastos de um filho e escolhem viajar duas vezes ao ano, que se conhecem a ponto de dizer, não posso ter um filho porque não vou fazer saber me doar por inteiro. Que querem estudar por muito mais tempo, outras faculdades, estudar fora, fazer mestrado, doutorado, viajar o mundo defendendo tese.

E muito importante nisso tudo, acho lindo casais que sabem conversar e saber das vontades um do outro, e que quando essas conversas acontecem, um saiba aceitar se ter filho não é o desejo do outro e não forçar essa realidade goela abaixo.

Acredito em quem tem filho de verdade, porque quer, sabe que não é fácil, mas está disposto a encarar, sabe que tem um mundo de problemas para enfrentar, de cólicas madrugada a dentro, festinhas de aniversário, conselhos malucos, saúde, pré adolescência, adolescência, namoricos, drogas, estudos, viagem e tanta coisa mais. E não entram nessa “aventura” de olhos fechados e quando está na hora de encarar, deixam na mão de outra pessoa porque não sabem/querem lidar. Que criam filhos “livres” na filosofia, e não porque não querem estar realmente junto.

Filhos não são brinquedos ou bonecos, não são temporários e não foram feitos para colocar no mundo e pagar alguém para criar no seu lugar. Não são algemas para segurar casamento nem sonho de sogros para realizar. É motivo para a felicidade de muitos, mas para tantos outros, não. 

E assim como ser médico não é para todos, ser professor, ser psicólogo, ser cozinheiro, ser nômade, ser empresário, ser mãe/pai também não é. É uma profissão para a vida inteira sem poder repensar quando a carreira esgotar.

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E acho lindo poder ter conversas sinceras com as pessoas a respeito desse tema. Conversas abertas, sem julgar porque cada um tem seu motivo, sua razão. Foi-se o tempo da pressão e opressão, chega de não vai ter filho, então vai ficar sozinho na vida; vai ter filho sua carreira está acabada; vai ter filho, como vai continuar trabalhando; vai ter filho, acabou a relação do casal; não vai ter filho, é muito egoísta. Cada um com sua vida, seus planos, seu presente, seu futuro. E ter filho ou não é uma escolha de cada um também e provavelmente a do amiguinho do lado não vai ser igual a sua.

Um ponto muito importante é: pessoas mudam, o tempo todo! Então se hoje seus amigos falam que não querem, mas no próximo ano acharem que chegou o momento, é normal também. Nada de ficar julgando porque eles mudaram, e mesmo que eles criticassem pais e filhos antes, ficou no passado.

Vamos conversar abertamente sobre isso, sem julgamentos. Converse com seus parceiros, suas amigas, ouça lados, tenha dúvidas, questione, entenda, ouça, tenha certeza, mude de opinião. 

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.