Meu cabelo cacheado

Nesse boom de valorizar os cachos, eu me vi sortuda. Minha história com o cabelo cacheado acompanhou a história. Meu cabelo desde criança era aquele fofo, liso em cima e cachos lindos nas pontas – super invejável! E um belo dia virei mocinha (vulgo primeira menstruação) e com isso não vieram espinhas e pelos por toda parte, mas um arco de cabelo esquisito que seguiu o crescimento dos fios. Era a coisa mais estranha, porque tinha a raiz dos cabelos, uma onda super definida (tipo marca depois de soltar o cabelo sabe? Só que eterna). E nada ajeitava aquilo, nem o melhor gel. Então boa parte da minha adolescência eu fiquei de cabelo preso; ora em coque, outras com rabo alto e trança até a ponta.

E então começaram as festinhas de 15 anos, e na turma do meu ano foram MUITAS! Se eu pegar minha agenda do ensino médio, devem passar de 15 festas. E para cada festa, além da roupa, tem cabelo e maquiagem. O cabelo era um problema sério! As meninas na época faziam aquela chapinha mega lisa e perfeita, ninguém fazia cabelo preso, nem meio preso. Eu tentei de tudo em salão, mas a cabeleireira não era muito atualizada, então o penteado preso era de uma senhora, cheio de laquê. O meio preso abria brecha para o que sobrava solto tentar ser livre e armar com uma intensidade absurda. E a escova modelada, bom, essa era mais ou menos assim: enquanto o cabelo estava quente e recém escovado e secado, era lindo. Mas era pisar pra fora do salão, tempo, umidade e esfriar, ficava decepcionante. Então era muito comum eu durar 1 hora em festa com o cabelo solto, e logo pegava um elástico, porque ficava um ondulado indefinido feio.

Até que começaram a sair os cremes para pentear, e eu descobri que se eu usasse ele, amassando o cabelo e dando uma ajeitada, ele ficava cacheado e eu poderia finalmente usar ele solto. Pelo menos em dias não tão úmidos, então não ficava tão armado.

Mas existia um trauma de cabelo grande e cacheado sabe? Ninguém usava, nem mesmo as negras. Era feio, atrapalhava as pessoas. Então todo mundo escondia ou alisava. E eu ainda cresci com a família me chamando de gadeiuda. Doía, porque eu queria ter aquele cabelo liso e super domado das meninas do colégio.

Até que um dia ganhei um relaxamento de ondas, que era o oposto do famoso permanente. Fiquei horas lá passando pela química. Fiquei alguns meses com o cabelo dos meus sonhos, meio Gisele Bundchen. Aquele liso com estilo, com ondas. Mas depois o cabelo cobrou, e conforme o efeito foi passando, ele foi voltando, e foi aparecendo a destruição.

Foram mais de 4 anos com o cabelo totalmente queimado! Se eu saísse no sol meu cabelo parecia laranja, meio cobre. As pontas eram horríveis e eu não aceitava cortar, porque afinal de contas, adolescência! E todas as amigas tinham cabelo longo.

Passei por um período depois disso que nem lembro direito. Quando dava eu entupia de creme depois do banho e deixava ele solto por algumas horas. Nos dias mais frios eu ficava horas secando e depois esticando com a chapinha. Mas sempre fui grata do meu cabelo ser seco e eu poder deixar sem lavar por 3 a 4 dias. E de ir em balada e não pegar o cheiro de cigarro. Então quando eu me dedicava a esticar, podia deixar ele “domado” por alguns dias sem precisar prender.

Ter o cabelo liso era um processo: no primeiro dia felicidade, solto e livre; no segundo ou terceiro dia uma piranha pequena para prender o topo ou metade; depois quando já não estava mais tão liso virava um rabo ondulado; aí ia para o coque e finalmente me rendia a lavar e retomar o processo.

Foram anos de chapinha para ter o cabelo “livre” e me sentir a vontade com ele. Mas no verão eu não aguentava encarar o secador e a chapinha, então deixava ele secar em trança (isso mesmo que você leu) e logo prendia por completo.

Quando finalmente encontrei um cabeleireiro que começou a fazer o corte certo para meu cabelo, deixando os cachos livres, tirando o volume extra, dei adeus a chapinha! Só recorro a ela quando vou fazer algum penteado para festa mesmo. E aí sim meus cabelos foram liberados para a vida. E vez ou outra quando tô afim, porque amo ter essa versatilidade.

Sou mega preguiçosa, sei que tem mil informações por aí e produtos bem melhores que podem ajudar a deixar o cabelo ainda melhor, mas ainda não li, não comprei e sigo meio livre, sem obrigações, sem fronha especial, sem cronograma capilar.

Mas finalmente me sinto mais livre, mais leve. Lavo o cabelo normalmente, ainda escovo (sei que é melhor só passar os dedos), chacoalho para tirar o excesso e amasso com a toalha para melhor definição. Deixo ele secar naturalmente e deixo criar as ondas para todo lado, deixo os cabelinhos novos serem felizes. E se prendo em rabo de cavalo, deixo os cachos livres por lá também.

Confesso que ainda tenho preguiça, tenho MUITO cabelo, cai muito e demora o triplo para secar naturalmente. O que significa lavar depois das 18 horas é roubada na certa! Tem dias que o frizz fica indomável, que algumas mechas se recusam a ondular, não há lado certo para virar o cabelo e dividido ao meio é a coisa mais ridícula que você poderá ver. Mas aprendi a não me importar mais, aprendi a ser feliz do jeito que meu cabelo é! Um dia eu tomo coragem para aprender mais e trocar todos os produtos, mas por hora, deixa ser, deixa estar, deixa cachear!

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.