O que aprendi antes dos 30

Sempre achei que envelhecer é uma escolha, assim como comemorar aniversário ou não, mentir a idade, contar para todo mundo ou se esconder. Cada um tem seu histórico de aniversário, porque ama ou odeia este dia. Nunca entendi muito bem quem odeia na verdade, e sempre achei que é uma forma enrustida de dizer que se importa, e só gostaria que se importassem mais e fizessem deste dia um grande evento por uma questão de homenagem, sabe como?

Mas fora desse tema, sempre gostei de aniversário, como celebração de vida, de bagagem que ganhamos,experiências e a chance de celebrar mais um ano, independente se foi meio conturbado e coisas ruins aconteceram. E dentro disso, nunca tive medo de envelhecer ou vergonha de contar idade. A idade chega para todos, temos é que aproveitar.

E no ano que vem chegarei na casa dos trinta, aquele tão temido, que dizem que começa a passar mais rápido, que a vida já deve estar desenhada, que as doenças aparecem com mais facilidade e por aí vai. Mas já li também que é a melhor idade para as mulheres, então vai entender né?

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E com seis meses ainda para marcar o “check” nas caixas de pesquisa: entre 25 e 29 anos venho colocando a vida em balanço e aceitando as diferenças, das idades e como muda para cada década.

Primeiro de tudo é de como sair a noite, tipos de bebidas e ressaca mudam completamente. Quero qualidade para cada uma delas. Se decido sair, precisa valer a pena, não quero lugares apertados e gente me empurrando, se vou beber não quero passar mal com muita cerveja barata, quero poucas porém boas cervejas artesanais e a ressaca, quero mais suave possível, então me alimento e antes de dormir bebo ao menos dois copos de água.

Não sou uma chata e quebro as regras de vez em quando, e espero quebrar até quando estiver bem velhinha.

E sei também que posso recusar convites se não estou com vontade de sair, não preciso provar nada para ninguém.

As amizades passam também a ter um novo significado, aprendi a separar por ocasiões e ambientes, por assuntos e por afinidade. Deixei de me importar porque alguns amigos foram a algum lugar e não me chamaram, ou por um amigo não me procurar quando precisou. Pouquíssimas amizades geram tanta afinidade a ponto de chamar para os programas mais banais até os mais emocionantes, para conversar sobre problemas da vida e sucessos. Quem sempre chamei de amigo, mas não faz muito parte de minha vida mais, continuo tendo um enorme carinho, mesmo que nossas vidas tenham seguido caminhos diferentes. Não tento mais conquistar amizades com mentiras ou convites por educação, sempre fui sincera e digo o que penso e o que precisam ouvir, os poucos que ficam e ficaram em minha vida são os que querem estar.

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E o mesmo são os familiares, não preciso ouvir desaforos de família que tem interesse na minha vida por controle de tudo, quero por perto quem quer fazer parte dela, vir na minha casa ou me receber, convidar para festividades e não cobrar dívidas passadas, ou cobrar presença porque sim. É claro que ainda cumpro com obrigações sociais e faço minha parte, não desrespeito ninguém, mas não dou satisfação sobre minha vida e minhas contas, não são eles que pagam ou controlam.

Aprendi a aceitar melhor o meu corpo, sei quantos quilos tenho que perder, mas não só por vaidade, mas muito mais por saúde. Sei que tenho que me exercitar, mas não preciso ser alucinada em academia e corrida porque todo mundo está correndo. Tenho que fazer o que gosto e o que meu corpo aceita. Sei que tenho que consumir uma grande variedade de alimentos para não precisar repor mais para frente com milhares de suplementos e vitaminas. Sei também que o sol não é para minha estética, é para minha saúde, mas dentro de um certo horário e com protetor, o suficiente para receber vitaminas e não doenças.

E eu passei a aceitar coisas que são importantes para mim e nem tanto para os outros, e que não preciso brigar porque não foi feito, porque como eu disse, sou eu que reparo porque aquilo pra mim é importante, não posso cobrar tanto assim e arranjar brigas.

Sei também que muita briga não vale a pena, respirar e contar até dez, mudar de assunto na cabeça até pesar e ver se aquilo é realmente importante. Se continuar retornando nas próximas 24 horas, talvez valha a pena brigar e questionar, se não, é melhor mudar a página e seguir em frente e em paz.

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Se vou fazer 30 e ainda não resolvi profissionalmente não devo me culpar, sempre preferi controlar os gastos a ser infeliz em um trabalho que me sentia miserável. Passei por vários trabalhos, conheci muita gente, adquiri muita experiência, e aprendi como não fazer várias coisas, principalmente como não ser chefe e controlar as pessoas. Não fui dessas crianças que decidiu o que seria quando crescer e foi só seguir atrás dos sonhos. Sempre fui criança que gostava de brincar de casinha, de Barbie, de show da Xuxa, de lego, de bola, de jogos, de fazer coreografia, não necessariamente da mesma ordem e continuo assim, gosto de fazer de tudo um pouco e me entendio quando faço algum trabalho igual por muito tempo.

E não tenho medo de buscar um conhecimento novo porque estou velha de mais, quero é sempre aprender, ainda mais se for para encontrar algo ideal para minha vida.

A verdade é que decidi que quero ser feliz e amar o que faço, nunca aceitar o que faço para depois viver minha vida mais tarde. E vou viver atrás disso incansavelmente.

E novos prazeres vão aparecendo, como cuidar de plantas, bordar, cozinhar e cuidar da casa. Mais prazer ainda em finais de semana chuvosos e caseiros, ou ensolarados e de passeios simples na vizinhança atrás de um sorvete.

Chegando aos 30 com perfeita convicção de que a vida é simples, dura, cheia de desafios, perdas, dias cheios de emoção, outros cheio de energia ruim, mas que podemos simplificar muito mudando nossa postura, nosso pensamento, nossa vivência, nossa compreensão, e saber que temos sempre algo novo a aprender todos os dias de nossa vida e que não somos melhores que ninguém nunca.

E um grande conhecimento que sempre escuto e re-aprendo com minha avó materna, é que se gostamos de algo e queremos que dure muito tempo, devemos cuidar bem. E ela geralmente fala de alguma roupa que está lavando com as mãos, uma panela ou quando limpa bem a casa de praia antes de ir embora. Mas vejo isso como um aprendizado para tudo, nosso celular que tanto gostamos e carregamos para todo lado, nossa cama, nossa casa e acima de tudo, nosso corpo. Se quero viver muitos anos, ter saúde para ver os netos e viajar pelo mundo preciso entender que meu corpo é frágil como um equipamento eletrônico, precisa de descanso, precisa de tratamento quando uma virose me atinge, preciso de silêncio e paz quando o mundo parece muito louco, preciso de pizza de vez em quando, mas lembrar depois e equilibrar meu corpo, comer verdes e frutas, beber água e comer doces mais naturais, com menos açúcar.

Talvez os 30 não sejam tão difíceis, talvez eles passem realmente rápido, talvez seja a década de ainda mais mudanças no corpo e na vida, talvez eu continue vendo a vida como uma criança como sempre busquei ver. Talvez venham mais responsabilidade. Talvez.

Minha certeza agora é chegar aos 30 e seguir dentro dele, bem comigo, com as pessoas a minha volta, ter equilíbrio físico e mental e ser feliz. E celebrar cada segundo do fim dos 20 e da chegada dos 30.

Imagens: Pinterest

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.