O tal do namoro a distância

Primeiro de tudo vou me defender, sei do que estou falando, já fiz intercâmbio e mantive o namoro e segundo eu acredito no amor, cresci assistindo contos de fada e sou romântica incorrigível, mas aprendi a ter pés no chão. Fora isso, vamos ao assunto.

Quero separar em dois grupos, um com casais que estão juntos há anos, namorando ou casados, construíram uma relação, conhecem e aceitam um ao outro, confiam e desconfiam, sentem ciúme e compreendem. E um segundo grupo de casais jovens, não de idade, mas de semanas e meses de namoro, não entendem a rotina, não conviveram com TPMs, gripes, pressão, stress, DRs e ciúmes doentios e bobos.

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Quanto ao primeiro grupo, eu acredito no amor e na fidelidade, ninguém joga um amor construído fora, mas também não se dispensa oportunidades que possam aparecer na vida. Uma transferência no trabalho, um curso no exterior com duração de alguns meses, uma proposta maravilhosa. Então quem ama de verdade não vai permitir que a oportunidade seja perdida, vai apoiar e mudar a rotina de vida para se adaptar a nova realidade, seja à distância por um curto período, seja as idas e vindas durante o período ou seja uma mudança radical para acompanhar a pessoa amada.

Mas a questão em si é de casais que namoram há pouco tempo ou até há muito tempo, mas a relação já não é mais ideal, cada um deseja ter um caminho diferente do outro, não anseia ter a pessoa “amada” ao lado nas novas batalhas e sucessos, nem mesmo de novos amigos.

Já deu pra entender que a relação geralmente não é nem a certa, e não que um dia não vai ser.

Temos que entender o seguinte, um namoro a distancia com casais juntos há anos já gera uma super dúvida, uma carência enorme e ciúmes, geralmente virtuais, porque um fez check-in em um bar, porque uma foto ficou com dupla interpretação. Casais novos não conhecem o outro em grupos diferentes de amigos, não conhecem o outro em dias mais tristes, dias mais difíceis, dias de loucura. A verdade é que os primeiros dias e semanas as promessas de amor são infinitas, fidelidade e o reencontro são temas claros e que não deixam duvidas, mas com o passar do tempo o vazio aparece, as dúvidas, a falta de diálogo e de novidades deixam uma distancia ainda maior.

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E não estou dizendo que ao ter notícias de uma viagem o casal deva terminar e desistir, cada um faz o que quer e bem entende, mas deve-se ter os pés bem firmes no chão e saber dos tempos difíceis que estão chegando.

Eu sou muito sonhadora e acredito que se é para dar certo, pode dar depois, mas não se deve prender duas pessoas à um futuro tão incerto, deixar de aproveitar a vida para ficar em casa conversando a frente de um computador. Isso não é saudável nem para quem fica, nem para quem vai. Quem fica acaba se afastando de muita gente, porque não quer sair para não ter oportunidades com outras pessoas, não muda a rotina porque não quer mudar nada sem o outro. E para quem vai, perde de conhecer outras pessoas e a nova cultura, perde oportunidade de aprender mais ou trabalhar mais. É justo isso?

Se o casal realmente se gosta, independente de tempo de namoro, é necessário ser verdadeiro e deixar claro as intenções de cada um, não importa se a viagem vai durar um mês, um ano ou não tem tempo definido. Porque se um propõe manter o namoro, mas o outro fica com dó de dizer que não quer, acaba machucando muito mais. É hora de ser muito mais maduro e separar bem os sentimentos.

Se for para dar certo, vai dar, e eu acredito nisso. Se for para batalhar pelo namoro a distância, que seja sem desconfiança e sem ficar trancado em casa esperando a pessoa voltar.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.