Para Assistir – Queer Eye

Vamos falar sobre Queer Eye, repaginado pela Netflix?

Lembro vagamente da primeira versão que o nome completo era “Queer Eye for a Straight Guy”. Era um programa de TV a cabo e a ideia era a equipe de apresentação, formada por homens homossexuais ajudar homens heterossexuais. Não lembro se era só aparência, se tinha decoração, conversas, não posso falar nada sobre a versão antiga. Mas posso falar da nova. E quero muito falar sobre ela!

Temos 5 gays maravilhosos no comando do reality produzido pela Netflix. Bobby, responsável por design de interiores; Karamo com cultura, conversas, psicológico; Tan com moda e estilo;  Antoni com bebidas e comidas; e Jonathan com cabelo e beleza. Pronto, esses são os caras, e eu quero ser amiga de todos. Sério!

Cada um tem um perfil completamente diferente do outro, uma história diferente, como lidou e lida com sua sexualidade, mas mais importante de tudo, um coração enorme e maravilhoso. E pra mim é tipo pedirem pra escolher um personagem favorito de Friends (sou bem fã, pra quem não sabe) pra escolher qual é meu favorito dentro do Fab5! Não dá.

Mas diferente da primeira versão, os personagens não são só heterossexuais não. São homens que se perderam na vida, não cuidam de aparência, de sua casa, vestuário, alguns casados que não dedicam tempo e aparência pra esposa. Todos de profissões diferentes, alguns com relacionamentos, família, fechados, esquecidos, tristes.

Cada história tem sua beleza, cada personagem tem uma questão principal para ser conversada. E com todos existe a conversa de ter 5 gays por uma semana em sua vida e sua conclusão. Mas meus destaques ficam para o primeiro, um senhor divorciado e ainda apaixonado por sua ex. Vive em uma pequena casa, não cuida do problema de pele, não faz a barba, usa roupas simples sem muita escolha e se alimenta muito mal. Sua frase é “você não pode concertar feiura”! E durante todo o episódio eles mostram que nada tem a ver com beleza e sim com amor próprio e bem estar. Meu segundo favorito é com o policial e pai de família, começando o episódio com um susto ao serem parados por um policial e o Karamo fica super assustado, diante de tanta violência entre policias contra negros nos EUA. E então o encontro deles, as diferenças políticas, mas igualdade humana, as conversas bonitas e a demonstração de que com uma boa conversa, sem pedras nas mãos, fica tudo muito melhor. E meu terceiro favorito, o jovem indiano que está finalizando sua startup e terá um evento para apresentar para clientes e amigos. Um jovem que se fechou com o tempo, não recebe mais amigos em casa e abandonou seu prazer por cozinhar e receber. Tem um armário cheio, mas usa as mesmas roupas, barba e cabelo enormes para se esconder debaixo de tudo aquilo. E com um pouco de amor, conversas o cara que ficava o tempo todo de braços cruzados foi se soltando, foi se olhando e curtindo todo o processo.

E tem vários outros personagens super legais também, um pai de família que não compra nada para si por não achar que merece e não precisa. Um rapaz gay que não contou para o falecido pai, mas quer contar para a madrasta. Um bombeiro que só pensa em sua equipe, cheio de amor. Sempre muito diferente mesmo!

É lindo de ver a sensibilidade em cada conversa, como cada um se identifica mais com a história de um, como tocam cada tema, como desamarram tudo aquilo preso sabe? Eles começaram por uma região bem tradicional americana, religiosa, machista, preconceituosa e que não é bem aceito ser gay. E então entram na casa desses caras para ajudar, para conversar, para abrir os olhos, abrir o coração, levar alegria e bem estar. É lindo ver como o Karamo consegue conversar com cada um e levantar questões mais duras, frustrações, tristezas. Como o Jonathan todo espalhafatoso, escandaloso faz todo mundo sorrir, mesmo dando um choque de desconforto primeiro.

 

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E não é só sobre dar um banho de loja, arrumar um cômodo da casa e dar um banho de salão. Eles vêem o que encaixa no perfil, que tipo de loja aquele cara realmente vai continuar a frequentar, que tipo de roupa diferente do habitual ele realmente vai ver com outros olhos. E toda vez o Jonathan para na frente do espelho com o personagem e pergunta sobre sua rotina de beleza diária e quanto tempo ele está disposto a gastar por dia sabe? Porque não adianta dar cremes, máscaras, produtos pra passar do prazo de validade no armário. Por exemplo, com o pai de família (acho que ele tem uns 5 ou 6 filhos) com um banheiro na casa, mais que 5 minutos de banho e produção é fora de questão, e comprar roupas em lojas de marca não fazem sentido, então tudo foi mais simples e as roupas foram compradas em grandes lojas de fast fashion.

 

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Enfim, é um reality para rir, se emocionar, parar para pensar e se apaixonar por eles. Ouvir cada diálogo com carinho e mudar um pouquinho nosso pensamento, sentir um calor de amor. Então se você ainda não assistiu, a primeira temporada inteira está na Netflix “Can you believeeeee ittttt? Yaaaaassssss“!

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.