Qual a sua relação com a bebida alcoólica?

Tenho pensando muito sobre esse assunto ultimamente. E para introduzir essa ideia, primeiro vou falar sobre a minha história. E a verdade é que venho de uma família de vários alcoólatras e uma relação muito forte com a bebida. Cresci em uma casa que constantemente ia dormir com os gritos da minha mãe e a briga constante com meu pai por parar no bar após o trabalho. Vexame em grandes eventos, brigas e decepções. Tios internados, pais sofrendo, filhos sofrendo. E mesmo crescendo em uma família que não conversa, que “as crianças” não devem ficar sabendo, eu observei tudo, eu observo. Aprendi com os erros alheios e temo pelos erros constantes.

Hoje consigo perceber porque já nas primeiras festas da adolescência brigava com meus amigos mais próximos por estarem bebendo e fumando. Fui realmente consumir bebida alcoólica depois dos 18, e não porque alcancei a maioridade, mas porque trabalhava e já tinha um pouco mais de consciência e maturidade.

E assim aprendi a ter uma relação saudável com tudo isso, com moderação, de vez em quando, e dias de alegria, de tristeza ou dias comuns. Mas a moderação e consciência sempre andam junto. Nunca bebi para esquecer os problemas, para usar quase como um remédio anti depressivo. Já bebi sim para relaxar um pouco. Nunca busquei como forma de me divertir mais, ficar mais alegre, me enturmar, fazer parte de um grupo. Se bebi em excesso foi porque no dia foi o que aconteceu. Mas posso contar nos dedos de uma mão as vezes que exagerei.

E no caminho contrário, mesmo com o histórico, para grande parte da minha família a bebida ainda é uma piada, uma motivação, uma razão para tudo, começo, meio e fim. Se alguém precisa dar um tempo na bebida seja por motivo de saúde, alguma indisposição, é motivo para piada, pena ou “não dá pra tomar nem uma latinha?”. São raras as histórias, sejam ela engraçadas ou tristes, que não começam com “fulano bebeu um monte”.  

Então feita a introdução, venho propor este questionamento: Qual é a sua relação com a bebida alcoólica? Qual a relação das pessoas do seu círculo familiar e de amizades com a bebida alcoólica?

Existe uma dependência? Uma exigência? Uma necessidade? Você sabe assumir essa dependência?

Porque na maioria dos casos, assim como é para os fumantes, a fala é: “se eu quiser eu paro”, “eu consigo ficar uns dias sem”. Ou então tem até os que assumem com “eu não consigo ficar sem”, “se o médico mandar eu não vou obedecer” e por aí vai. Mas em nenhum dos casos procura ajuda, porque a verdade é que viver essa dependência já é uma fraqueza absurda. E afinal de contas, tem sempre um que é bem mais viciado que eu né? Ou isso nunca vai acontecer comigo.

E esse artigo que saiu no Papo de Homem semana passada só fortaleceu esse texto que eu estava escrevendo há tempos. E a verdade é que assim como tantas questões antigas que estamos reavaliando e questionando, o álcool é uma que precisa ser observada e repensada.

E aqui coloco outras questões: você bebe por qualidade ou quantidade? Você bebe antes de sair para beber mais e chegar “no grau”? No happy hour você toma um chopp de boa ou não consegue beber só um? Durante a semana em casa, você bebe uma tacinha de vinho ou uma latinha de cerveja tranquilamente ou perde a conta em plena terça ou quarta feira? Você faz piada quando alguém (ou você mesma) não está bebendo?

Não tenho o intuito de dar lição para ninguém, discurso, mas quero fazer para pensar, avaliar, auto avaliar, abrir essa discussão dentro da cabeça de cada um e até dentro de casa. Então se você leu até aqui e sentiu aquele puxãozinho na boca do estômago, se identificou em algum ponto ou começou a avaliar algumas coisas, tarefa cumprida! Vamos falar mais sobre isso, ser melhores exemplos, vamos ajudar quem não consegue enxergar tudo isso por ter uma cultura muito enraizada.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.