Quando amar é de mais?

Existe exagero no amor? Claro que existe, como tantas outras coisas boas que com o exagero fazem mais mal do que bem, como: beber muita água (tão ruim quanto não beber nada de água), religião, futebol, política. Fora o consumo excessivo de algo, os outros exemplos envolvem muita emoção, e quando a emoção fica a frente de tudo, ela cega. Ela tira os sentidos e não faz a pessoa ver mais o outro, a frente ou ao lado, e faz existir apenas uma única verdade, todo o resto é louco. E no amor, ela cega tanto que o amor próprio deixa de existir.

Que loucura não é? Amar tanto alguém a ponto de não mais amar a si mesmo. É louco, mas mais comum do que podemos imaginar. E não é só caso de amor louco tipo novela, cheio de ciúme. O amor exagerado acontece em namoricos também, com uma dedicação excessiva ao outro, deixa de sair, de ver os amigos, de trabalhar mais, tudo porque o outro vai ficar esperando, ou porque a pessoa quer ficar esperando o outro disponível Deu pra entender?

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A mocinha – mas pode ser o mocinho também – percebe que ama tanto o namorado que quer ficar a disposição, mesmo não sendo ainda um namoro sério, mesmo sem nenhuma conversa oficializando a relação. Aí a mocinha sai do trabalho todos os dias pontualmente, mesmo tendo trabalho atrasado, mesmo podendo ganhar hora extra e futuramente uma promoção, cancela o happy hour das amigas, o aniversário do sobrinho, tudo porque acredita que aquele dia sim, ele vai buscá-la no trabalho e a noite vai ser incrível, vocês vão se amar e ser felizes para sempre. E passa um dia, passa dois, passa uma semana e a mocinha continua esperando todos os dias na porta do trabalho, acorda olhando para a tela do celular, as amigas já desistiram de chamar. Triste né? É um amor exagerado, mesmo que não seja completamente amor, aquele verdadeiro. É a cequeira isolando a mocinha.

E isso pode ser tanto homem quanto mulher, jovem ou adulto, e não precisa ser relação amorosa não, pode ser de amizade ou até pais e filhos.

A relação é tão cega que só o seu amor é perfeito, ele diz sempre a verdade, o que ele falar eu faço, o que ele falar é a verdade absoluta, mesmo que vá contra sua religião, sua família, seus princípios.

E isso sim, é amar de mais. Amar a ponto de esquecer quem você é, quem são as pessoas que te amam e estão sempre ao seu lado, largar sonhos, trocar de estilo, de cor de batom, de estilo de música, de amigos, porque quem você ama mandou. E quando você ama assim, cegamente, aceita, acredita que isso será o melhor, que ele só quer o seu bem e que todas as outras pessoas estão erradas falando em sua cabeça.

Mas o que fazer? Constatar que ama de mais já é o primeiro passo. Tem amor que dói, aperta o peito, assim, fisicamente mesmo, de um jeito inexplicável. Mas só tem dor, espera e tristeza. Não existe alegria, reciprocidade, e se for ver bem, os momentos felizes são desesperadores. Mas o amor é tanto, que se agarra a esses momentos felizes como se fossem únicos, como se só existisse esse jeito e essa pessoa para te fazer feliz.

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Então pare tudo, dê dois passos para trás e veja tudo de longe. Quem você era antes? Quais eram os seus sonhos? O que você tem feito por você? Quando você se arruma, é para se sentir bonita ou para ele te ver bonita? Onde estão seus amigos? Como está sua vida social? Profissional? Onde seu “amor” se encaixa nisso tudo? Ele te dá suporte? Ele acredita nos seus sonhos? Ele aceita suas amizades e seus momentos com os amigos? O que sua família diz sobre ele?

Escreva tudo, faça uma lista, faça uma linha do tempo, veja erros, acertos, falhas, defeitos e qualidades. E pense bem se você ama mais do que ama a si mesmo. Se esse amor te ama tanto quanto você se ama. Se você deixou de ser quem era, para dedicar seus olhares, abraços, tempo e coração para essa pessoa. E se a resposta é sim. Pare tudo. Repense. E por mais dolorido que seja, desesperador. Você exagerou, criou uma guerra com o mundo por algo que deveria só fazer bem.

Então reescreva sua história, comece um novo capítulo e que a protagonista seja você, sempre!    

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.