Sobre amizades com fim

Um dia acreditei que amizades deviam ser para sempre, deviam lembrar sempre do aniversário e estar junto para comemorar, deveriam correr para dar as mãos e um ombro pra chorar diante de qualquer fase ruim.

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E com o passar dos anos vi que amigos vão e vêm, alguns amigos são bons para fazer programa em casa de ver filme, jogar jogos e pedir pizza, outros são perfeitos pra mesa de bar e conversas aleatórias, tem aqueles que são ótimos para falar de trabalho, trocar ideias sobre dinheiro e investimentos, tem aqueles ainda vão ajudar quando o assunto é relacionamentos e amores mal resolvidos, alguns vão querer sua companhia enquanto for conveniente e precisar de algo seu, seja seu tempo, teu ombro ou seu primo. Ao longo da vida tive amigos com ciúmes de amigos, amigos só em sala de aula, amigos para convidar para festas, amigos para fazer trabalhos de aula. Alguns deles eu coloquei esperança de que seria aquele que abriria a geladeira de casa sem cerimônia e estaria na primeira fileira em meu casamento. E depois de algumas decepções, términos de relação, desses com conversa séria e colocar um fim mesmo, percebi que algumas amizades são fases da vida mesmo.

Conforme amadurecemos (ambas as partes, ou somente uma), o foco de cada um muda, opinião, gosto musical, noturno, e as amizades podem ter fim, não por raiva, desavença ou problema, mas porque simplesmente os mundos, as realidades talvez não se cruzem mais.

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Tantos amigos de ficar horas ao telefone, hoje se tentar conversar vai sair mais ou menos assim: tudo bem? tudo e você? Tudo bem em casa? tudo e aí? Trabalhando muito? Pra caramba, e você? E então aquele silêncio contransgedor, porque não existe mais assunto em comum e talvez nem interesse em ter. Pode existir afeto e querer saber se tá tudo bem na vida do outro, mas a amizade mesmo ficou no passado.

E não é só tristeza, porque assim como amigos vão, outros vêm, amizades antigas podem retomar, pessoas que conhecíamos de longe  e eram amigos de amigos, podem, por ordem do destino, aparecer de alguma forma em nossa vida e virar amigo mesmo.

A verdade é que ficando mais velho, perdemos esse interesse de ter milhões de amigos, estar em todo lugar com todo mundo, saber da vida de cada um, ou ter amigos para várias ocasiões. O melhor é ir onde queremos com quem queremos e não cumprir protocolo de ir a bares e baladas porque um amigo vai estar lá. Ou então optar por ficar em casa tranquilo e não gastar dinheiro do que sair porque tem amigos insistindo.

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Percebemos que temos amigos que são como irmãos, topam até sair só pra trocar uma roupa no shopping, temos alguns que vemos poucas vezes ao ano porque a distância impede, mas quando se encontram nada muda, sobra assunto e falta tempo.

É como bebida alcoólica (pra quem bebe), quando se é mais novo o que importa é a quantidade, e conforme vamos amadurecendo, importa mesmo é a qualidade.

Então aceitei que mesmo que algumas amizades acabem em confronto, dúvidas e desavencas, bom, na verdade é que o tempo da amizade já não é mais o mesmo, o melhor é cada um seguir o seu rumo e ser feliz. O melhor é ser feliz, independente de ter uma casa cheia ou somente aquele um amigo que não desiste da gente nunca, independente de fase boa ou ruim, independente de bolso cheio ou geladeira vazia.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.