Sobre escrever um diário

Sempre gostei de escrever, e acho que escrever pensamentos e frustrações são válvulas de escape incríveis e poderosas para nosso bem estar. Na adolescência tive pequenos cadernos como diários, que escrevia pensamentos aleatórios, mas sem detalhar nada para não correr o risco de alguém pegar e ler. Então todos os pensamentos mais profundos eram guardados na minha cabeça mesmo.

Sim, temos namorados, amigos e até psicólogos para nos ouvir, para saber de detalhes, sonhos, desejos e frustrações. Mas temos caminhos que nosso pensamento vai e que não expressamos por vergonha, medo ou até mesmo uma necessidade de processar melhor tudo antes de contar para alguém. E depois de ler em vários lugares a orientação de manter um diário, decidi encarar e ter o meu. É claro que hoje em dia nossos dedos são bem mais rápidos digitando que na caneta, então optei por uma versão online.

Criei um arquivo em nuvem, dessa forma tenho uma certa proteção já que tem senha né. E lá criei um documento para escrever tudo que sai da minha cabeça, desabafos, pensamentos, desejos, projeções, tristezas, tudo. E olha, tem sido ótimo e incrível, então vim contar para vocês essa experiência.

Gostaria de escrever diariamente, mas não sinto tanto essa necessidade de colocar tudo em palavras. Procuro escrever quando estou transbordando. Tem sido comum eu parar um pouco nas segundas feiras e mais um dia aleatório da semana. Escrevo mais ou menos como têm sido os dias, o que tenho feito e o que tiro de tudo isso. Alguns relatos são longos e cheios de informação, outros mais precisos e curtos.

Algumas vezes são frases perdidas com informações simples, pequenos acontecimentos. Muitas vezes são longos parágrafos cheios de sentimentos, lutas internas, ideias, projetos, dores e alegrias. O que me vale mais é ser sempre muito sincera comigo mesmo – como deve ser sempre né – então não escondo nada, nenhuma revolta irracional, nenhuma alegria boba.

Dificilmente leio o que escrevi nos dias anteriores, algumas vezes só passo os olhos por cima e já relembro o sentimento, o momento, o pensamento. Mas tem sido ótimo escrever acontecimentos que eu sei em pouco tempo seriam esquecidos, escrever sensações, momentos bons, conversas marcantes, decisões tomadas, ideias, programações, enfim, tudo que vem em mente e são marcantes naquele momento.

E não pense que é algo sozinho, que é falta de ter com quem desabafar, nada disso. Como falei ali em cima, muita coisa contamos pela metade para as pessoas, deixamos algumas falhas, alguns pedaços que optamos por deixar guardados porque não fazem sentido contar, porque podem machucar ou sair errado. Muitas vezes não queremos encher com reclamações e passar a raiva adiante, outras vezes porque são pensamentos ainda desconexos e não é preciso oralizar eles até que se encaixem e façam sentido. E tantos outros motivos. Muita reclamação, tristeza e frustração nossa pode ser muito momentânea e que expressar elas só carregaria mais o mundo que vivemos, e é muito provável que ao terminar de escrever elas já nem façam mais sentido de ser, passou, já era.

Escrever tudo que passa em nossa cabeça e coração, mesmo que seja para ninguém ler, nem mesmo nós (o que facilita o fator escrever tudo mesmo), é como tirar um grande peso das costas. Porque em um momento tem um monte de coisa passando pela cabeça, boas e ruins e parece que elas nos cegam, deixam a visão turva e atrapalham o rendimento do dia, a produção. Aí você vai lá, coloca tudo no “papel” e clareia a mente, algumas coisas que nem passavam ainda pela cabeça já tomam vez, você já escreve e pronto, está livre para novas informações, para produzir muito melhor durante o seu dia.

Então eu aconselho sim a escrever, desabafar para o papel, clarear a mente e o coração, esvaziando dessa forma. Pode ser diariamente se essa for a necessidade, uma ou duas vezes na semana. Mas colocar em palavras tudo que passa é quase uma meditação, nos deixa mais leves e dispostos a encarar os dias que seguem.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.