Sobre ser inteiro

Parto do pensamento que a vida é muito curta para ser metade, viver meia boca, fazer meia boca, ser mais ou menos. E não estou falando para ser aquela pessoa sempre positiva, sempre feliz que faz tudo que vem na cabeça, que pula para tudo e para nada. Ser inteiro não tem nada a ver com ser impulsivo.

Ser inteiro não é ser amigo de todo mundo e ainda assim não se entregar para ninguém, não trocar segredos e intimidades, não doar tempo, colo e carinho. É topar sair com a galera para trocar ideia, falar de tudo, rir, chorar, desabafar e nem lembrar que o celular existe. Não dá para sair e ser metade, fingir presença, mas seguir falando com outras pessoas por mensagem e rodando a linha do tempo no Instagram, ou olhando pro teto, dormindo acordado. É ser presente para o amigo quando ninguém mais é e ter tempo até quando faltam horas no dia.

Ser inteiro é ter um relacionamento completo. Não é ficar junto porque não tem mais nada para fazer ou ninguém mais interessante para sair. É estar junto por vontade, desejo, porque existe harmonia. É ficar feliz com um dia cheio de programação diferente ou lado a lado na rotina comum, no domingo chuvoso. Não é inventar briga quando quer ficar afastado, fazer jogo, ignorar ligação e viver de mentiras.

Ser inteiro não é ficar em um trabalho reclamando, envenenando as pessoas porque não tem coragem de procurar algo que satisfaça mais. Ser inteiro é continuar no trabalho porque precisa do dinheiro, mas fazer de tudo para melhorar a vida, estudar, se especializar e encontrar um trabalho que satisfaça.

E é ser presente onde precisa estar, é acordar para o momento, seja ele uma reunião longa antes do almoço, na última aula na noite de sexta feira, na reunião com a parte da família que você não tem afinidade. Porque nem tudo que fazemos nessa vida é por querer, as vezes é preciso, é compromisso. E não é porque está a contra gosto que é preciso deixar isso bem claro para todos ao redor.

Então chega de metades, de relacionamentos por interesse, jogos de amor, amizades superficiais. Sejamos inteiros, sempre! Seja amigo, seja amor, seja funcionário, seja empresário, seja com todo o seu ser!

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.