Sobre ser mãe ou pai no relacionamento

Hoje me peguei pensando sobre relações amorosas onde um manda no outro. O outro vem para substituir ou reforçar até uma relação materna ou paterna. E não me entenda mal aqui, ou pense que estou seguindo um pensamento meio freudiano, talvez em certo level eu esteja. Estou pensando na necessidade de ter alguém mandando, impondo: não coma isso, não beba mais cerveja hoje, coloque um casaco, se livre dessa camiseta velha, arrume sua mesa, vai dormir porque está tarde, acorda porque está tarde… E pensar que isso, essa relação, é completamente irritante em toda a vida enquanto morando de baixo do mesmo teto com a mãe e o pai. É uma relação que vai desgastando, cansando e que só dá vontade de sair de casa, de ter uma grande parte do tempo na rua para evitar ouvir esse tipo de coisa, porque tudo é obrigação, tudo é motivo para mandar e reclamar. E ainda, na minha opinião, um dos grandes motivos que muita gente evita conviver em público com os pais, porque eles estão o tempo todo chamando a atenção. E sim, pai e mãe tem essa função de educar, olhar e zelar pelo filho, mas essa função cabe a eles, de lá o homem ou a mulher devem sair pelo menos um pouco educados e capacitados a ter discernimento de bom e ruim para si na vida. E dali pra fora é cada um por si.

E então um casal se encontra e o outro passa a acreditar que tem essa função, e aqui é minha dúvida, por que alguém tem talvez essa necessidade de começar uma relação igual ou muito próxima da que tem ou teve em casa? Essa necessidade de ter alguém mandando o tempo todo, controlando. Chamando a atenção em alto em bom tom, na frente de amigos e conhecidos: mastiga de boca fechada, senta direito, para de falar assim, para de falar palavrão…é infinita a lista.

E pode ser que no começo a pessoa entenda como um cuidado especial, que a pessoal ama e está cuidando e zelando. Mas quando começa a cansar e ficar chato a irritação, aquela lá que gerava discussão com os pais, volta com tudo. E porque a pessoa manda, dá ordem, resmunga e reclama.

E eu sei gente, quando estamos com alguém reparamos muito na pessoa, suas falhas, algumas coisas que irritam. Mas se tem algo muito feio lá, na frente de outras pessoas, cochiche no ouvido ou quando tiverem a sós avise que o que foi foi esquisito, todo mundo viu, mas sem ser bronca tipo mãe gente, por favor.

Então eu bato aqui na mesma tecla de sempre, quando estamos em uma relação saudável não queremos mudar ninguém, fazer comprar roupas novas, sentar direito, dar aulas de etiqueta, a não ser que seja solicitado sei lá, por uma necessidade profissional, e ainda assim, a pessoa vai ter seu estilo, sua personalidade. Quando estamos felizes com alguém, a outra pessoa nos faz querer ser melhor, e então mudamos sozinhos pelo outro, mas sem nenhuma imposição, sem ninguém mandando.

Se você identificou sua relação aqui, repense. O que vocês querem com isso? Será que você está realmente satisfeito com o outro ou nada do que ele/ela faz é satisfatório, é bonito, é perfeito? Tente deixar livre, tente estar presente só, sem dar instruções para vida alheia. Seja feliz com quem te dá a mão, e não dê a mão e guie pelo caminho.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.