Uma mulher na TPM

Todo mês fico impressionada com o poder dos hormônios e praticamente ter uma vida ditada por eles. Mulher é um bicho incrível por aprender a lidar com a tpm, essa coisa toda e fingir que a vida está bem, seguir o dia como se existisse um equilíbrio em seu pior.

Vou contar para vocês, é uma coisa esquisita, de repente você acorda como se tivesse dormido mal, mais sono, cansaço, vontade de cobrir a cabeça e não sair da cama. Aí você tenta processar esse sentimento com a necessidade de levantar e seguir com sua vida. Se foi algo que comeu, se foi algum pensamento, preocupação, stress. Se dormiu muito tarde ou muito cedo. O dia se arrasta, nada sai do papel e você vai tentando entender o que tá errado. Medita, faz exercício, toma café e nada faz sentido. Até que você olha na agenda, ou no aplicativo do celular, e percebe “falta uma semana para o dilúvio”, então tudo faz sentido! É um alívio saber que não é louca ou está doente, mas também uma irritação saber que ainda tem uma semana de altos e baixos, fome, vontade de comer, choros, raivas, e o desejo por um chá de sumiço.

Então você se dá conta que são seus hormônios bem descontrolados dentro de você. Tenta pegar leve e não se cobrar tanto, tenta procurar alimentos que dizem por aí que melhora essa sensação esquisita de “para tudo que eu quero dormir por uma semana”. Mas a verdade é que a vida continua rolando, não tem jeito de desacelerar, de abaixar o volume das pessoas irritantes ou até silenciá-las. Não tem como pausar casa, faculdade, trabalho porque você simplesmente não quer lidar. Sem falar que não tem bem um controle nem da nossa própria língua. Quando menos percebemos, já demos patada, respondemos torto, rimos na hora errada, viramos o olho na cara da pessoa, estamos chorando com um comercial de cachorro ou de algo bobo que vimos na rua.

Perdoem-nos pessoas que convivem com esses hormônios fora de controle. Mas acreditem quando dizemos que odiamos estar assim, não entendemos muito bem e adoraríamos saber como controlar ou só diminuir um pouquinho.

A verdade é que não é divertido jantar aquela comida indicada, mas estar desejando o maior lanche do mundo. E aí quando não dá mais para segurar, comemos tudo que vemos pela frente, compramos tudo pelo mercado e ainda passamos na padaria para uma fatia de bolo e um sonho bem recheado. E é claro, rola um baita arrependimento, porque afinal de contas, desanimada, irritada e inchada, quem quer ir para a academia? Pode dizer que é bom para ativar alguns hormônios, mas vou te dizer, a legging vai apertar, o fio do fone vai sofrer com minha irritação e nenhuma playlist será boa o suficiente para aliviar o stress.

Mas a vida segue, suspiramos mais que o necessário, contamos até 20 ao invés de 10, engolimos algumas respostas que poderiam agredir e aprendemos alguns meios de fugir das pessoas indesejadas. Comemos chocolate no lugar da fruta e tentamos diminuir o contato humano, para não sair atropelando tudo e todos.

Por isso digo, mulher é realmente incrível, porque é esse turbilhão todo mês – e nem vou entrar no quesito grávida porque não posso falar a respeito. Mas é aquela velha história, você descobre seu estado então sorria e acena e finge que tá quase tudo certo.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.