Você consegue olhar para a sua dor?

Se é uma dor constante como um problema grave de saúde, um problema financeiro, um problema profissional, uma grande perda. Ou um problema pontual e momentâneo como um dia ruim, algo de valor quebrado ou perdido, uma virose, um trabalho.  Você consegue olhar para esse problema, essa dor, e apenas sentir e encarar cada parte dela?

Constantemente em nossa vida fugimos da dor, escondemos de alguma forma, tapamos os ouvidos ou buscamos algum tipo de droga para não pensar ou sentir. Pode ser uma droga lícita ou ilícita, pode ser alguma atividade física para extravasar, pode ser o celular ou o computador, compras ou até fazer faxina na casa. Tudo com a mesma intenção: não pensar, não encarar.

E a verdade é que essa fuga não resolve absolutamente nada, não ajuda a não ser pela anestesia breve. E que pode fazer a dor voltar com mais intensidade!

Então desafio você a olhar para sua dor, sem fuga, sem anestesia. Sente-se aí, pode ser diante de um espelho, pode ser em uma cadeira confortável, pode ser até na cama. Se quiser, pegue um caderno para anotar ideias. Olhe para sua dor seja ela qual for. Dê espaço para ela ser, para ela existir como ela é. Se algumas lágrimas começarem a cair, deixe-as serem. Respire fundo várias vezes enquanto você vê essa dor, enquanto vocês existem lado a lado.

Quando sentir que deu espaço suficiente para ela ser livre, comece a resolver essa dor. Se é um problema solucionável, mapeie como solucionar, o que pode fazer para se desenrolar. Se é uma saudade, aceite que ela vai existir sempre na sua vida e é preciso aprender a conviver. Se é um problema de saúde, veja como combatê-lo, marque tudo que está em seu alcance para melhorar ou conviver bem melhor com isso. Se é um problema com outra pessoa liste como você pode resolver com ela, com encarar, enfrentar, questionar, ignorar ou como achar melhor reagir.

Ignorar a dor, esconder, varrer para de baixo do tapete, beber os problemas, malhar até não aguentar mais, nada disso vai resolver, não vai acabar com a dor, não vai fazer ela sumir, não vai resolver absolutamente nada.

Então precisamos desenvolver essa habilidade de ver a nossa dor, seja ela qual for, sentir ela por inteiro, chorar com ela, encarar e seguir adiante. Simplesmente sentir, dar espaço para a sua existência. E nada de comparar com a dor de outra pessoa, minimar ou maximizar a sua. 

Assim, ao aceitar essa dor dentro de nós, ficará muito mais fácil de lidar, de trabalhar novas formas de viver com ela, de curar. Aceitar sua existência deixa tudo mais claro, mais simples, mais fácil. Sempre teremos alguma dor, algumas maiores, outras menores, algumas de momento e outras de uma vida, cabe a nós olhar para ela e não ignorar. Cabe a nós ter consciência dela e existir com ela!

Então esquece tudo sobre “engole o choro” e aceite que está doendo. Lide com sua dor e tudo ficará mais fácil, mais leve, mais maleável.

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Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.