Você é feliz sozinha?

Esse final de semana tive um momento raro sozinha em casa. Quando percebi que isso ia acontecer fiquei entre sair por aí e fazer algo, nem que seja dar voltas pelo shopping, pensei em comer fora, ir no salão, pedir qualquer comida que eu goste mais, sair com minha irmã e seus amigos ou ver com alguém alguma programação. Mas então, decidi abraçar a oportunidade e curtir o silêncio e ficar comigo (e com a Zoey pedindo minha comida, é claro).

Desci até o mercado, comprei um vinho, alguns queijos, pão e frutas. Aqueci o pão para ficar mais gostoso, peguei uma taça bonita, montei o prato para mim, queijos cortados, pão tostadinho regado com azeite, frutas lavadas e vinho bem servido. Coloquei em minha bandeja de cama e optei por ver TV ao invés de ouvir música, mas fiquei bem em dúvida (eu amo música e ela me move sempre). E ali estava eu, sorrindo sozinha, curtindo um prato bonito, mesmo que eu não tenha cozinhado nada. Assistindo qualquer coisa melosa que eu gosto, sem precisar ficar consultando a hora no celular, as mensagens, os grupos, o feed do instagram ou o snapchat.

Por algumas horas, aquele era meu momento.

E foi ali que pensei nesse texto. Quantas pessoas não sabem lidar com uma situação assim? Que com qualquer possibilidade de passar algumas horas sozinha saem desesperadas em busca de companhia, de lugar para ir, começam a chamar gente para ir visitar, se convidam para qualquer programa que não seria tão interessante.

E aí me vem em mente um trecho de “Comer, Rezar, Amar” que ela prepara uma comida só para ela, senta no chão e saboreia o momento – é curto e logo começa uma carta para o ex, mas o começo e seu “Dolce far niete” é lindo:

Ficar sozinha não quer dizer que você seja sozinha, que não tem ninguém ou que ninguém te convida para nada. E também não quer dizer que você está folgada, nada disso. Tirar um tempo sozinha é para fazer nada mesmo, relaxar, desligar um pouco o planejamento de vida, não é ficar deitada olhando para o teto e ficar ativamente pensando que deveria estar lavando roupa, fazendo as unhas, organizando o planejamento da próxima semana, fazendo faxina, indo ao banco, respondendo emails e por aí vai.

O prazer de fazer nada é essencial na vida. É se dar o direito de pausar um pouquinho o tempo e a corrida da vida e fazer algo prazeroso, algum nada incrível.

Você é capaz disso? Com que frequência você desliga e não se sente culpada?

giphy-18

E é para desligar mesmo, não ficar narrando sua vida no Snapchat, não ficar respondendo tudo no whatsapp, comentando em fotos no Instagram. Se for necessário, deixe a bateria do celular acabar, avise quem realmente importa que está sem carregador e deve ficar desligada por umas duas horas. Se dê esse espaço sem ninguém arranjar problema para você resolver, deixa o mundo se virar um pouco, você não é Deus e não precisa ficar resolvendo a vida alheia e pode dar um tempo de resolver a sua própria.

giphy-20

E se você está aí pensando, “mas em casa é impossível ficar sozinha!”. Não precisa ser na sua casa, pode ser em um parque, uma viagem, pode ser só sentar em uma praça e ver a vida alheia passar. Pode ser ir ao cinema sozinha assistindo qualquer coisa que tinha disponível e comendo seu lanche favorito. Pode ser sentar na beira da praia sem nem levar um livro para ler, andar um pouco sem hora para voltar.

giphy-19

Tire um tempo assim de vez em quando. Faça nada com prazer, sem culpa, sem interferência. Aprenda a ficar sozinha, curta sua companhia, dance no meio da sala, sorria para o vento. E se achar difícil, não desista até se sentir confortável!

Comments

comments

Mari Medeiros

Relações Públicas, fotógrafa, maquiadora, conectada e que gosta de fazer de tudo um pouco pra não cair no tédio.